''O QUE PODEMOS FAZER PARA QUERER FIRMEMENTE AQUILO QUE RECONHECEMOS SER O MELHOR PARA NÓS E PARA NOSSA ESPÉCIE?''

14 de abr de 2010

Artigos sobre Jejum #5 - Livro Naturalismo - ACHARAM, Moreira Yarza

Livro: Naturalismo ao alcance de todos - Dieta e cura pela natureza. pag. 160-161-162-163
O Jejum - Com este nome é conhecido o ato de abster-se de comer alimentos num prazo determinado; as bebidas não cortam o jejum.
Como agente de saúde o jejum atua deixando o organismo descansar do diário trabalho digestivo, para que as energias que deviam ser gastas na elaboração dos alimentos sejam usadas para atuarem nas funções de eliminação e purificação orgânica.
Sendo a vida o resultado do duplo processo de nutrição e eliminação, simplificando o primeiro, ativar-se-á o segundo.
Por esta razão, o jejum constitui nos adultos o purificador mais eficaz e simples, impondo-se a sua prática nas doenças agudas e crônicas.
Nas crianças, o jejum deve ser regulado pelo seu instinto. Quando a criança não quer comer deve-se esperar até que peça alimento e em nenhum caso obrigá-la com ameaças a ingerir comida. Nestes casos de inapetência está indicada a fruta crua como o alimento e medicamento, porque há incapacidade digestiva por febre gastrintestinal.
O jejum é o regime de saúde que os irracionais praticam, guiados pelo seu instinto. É a cura do cão quando sente febre.
Quando um animal está doente ou ferido abstém-se de todo alimento até que volte a fome, indício de normalidade orgânica.
A ‘debilidade’, mas quase geral nos povoados, é atribuída erradamente á falta de alimentos e procura-se combate-la com superalimentação na base de substâncias ‘tônicas’, como carnes, caldos de substâncias concentradas, ovos, leite, queijo, suco de carne, etc. O resultado deste falso conceito é que o doente de debilidade tem que comer copiosadamente o dia inteiro, pois logo que sente o estômago vazio, é vítima novamente da ‘debilidade’ que o consome.
A explicação deste fenômeno, que chega a confundir os próprios médicos, é simples. A ‘debilidade’ é depressão da energia vital por desnutrição e intoxicação. A desnutrição não é por falta de alimentos, senão por um mau aproveitamento dos mesmo, devido a putrefações intestinais, que produzem no corpo substâncias desvitalizadas ou corrompidas. As substâncias cadavéricas que vão a caminho da desintegração orgânica, no intestino mais ou menos febril de todo o doente, entram em rápida decomposição e putrefação, passando ao sangue como matérias tóxicas que, longe de ajudarem a manter a vida das células, deprimem a vitalidade destas e do organismo em geral.
Como as putrefações intestinais elevam a temperatura interna, as carnes e seu suco ou caldo, ovos e leite chegam ao estomago e intestinos febris como a lenha ao fogo e, entrando em rápida decomposição, estas substâncias aumentam a temperatura anormal do intestino, preparando novos transtornos.
Encerrado neste círculo vicioso, o doente consome a sua vida e, fanatizando com o erro, não quer abrir os olhos para observar como o animal doente se normaliza, abstendo-se de todo o alimento.
(...)
Com o regime de superalimentação, vitaminas e tônicos químico-farmacêuticos, o corpo sobrecarrega-se cada vez mais de impurezas que deprimem a sua energia vital. Com regime purificador de jejum, frutas, sol, exercícios e eliminações, o organismo recupera as suas energias como um motor que, por sujidade, perdeu a sua força, recobrando esta, que é objeto de limpeza geral.
O jejum pode ser feito durante um ou vários dias seguidos, ou periódico um dia por semana ou de quinze em quinze dias ou de mês a mês.
Poder ser absoluto, sem se comer nada sólido, bebendo apenas água ou sumo de frutas; e pode ser relativo comendo apenas frutas ou saladas cruas.
O jejum só com água ou sumos de frutas convém aos adultos cada vez que se nota que o organismo funciona anormalmente, podendo prolongar-se até que volte a fome e normalidade.
O jejum de frutas deve ser seguido pelas crianças em caso de inapetência (ou falta de apetite) e durante o curso de qualquer doença. Também é de aconselhar em todo o doente que esteja de cama.
Como o jejum não significa paralisar a nutrição do corpo, mas deixar disponíveis as energias que o processo digestivo consumia para ativar as eliminações, convém combinar o jejum com respirações profundas, banhos de ar, de luz, e de sol.
Desta forma o organismo incorpora sem trabalho nem desgaste, pelos pulmões e pele, o subtil alimento da atmosfera e do sol, substituindo com vantagem a nutrição intestinal.
Quando temos de empreender uma tarefa pesada ou trabalho intelectual ativo, o jejum absoluto é o melhor estimulante, porque todas as forças de que dispomos se concentrarão na obra a realizar.
Com duas ou três laranjas por dia e outros tantos cachos de uvas, um adulto é capaz de qualquer trabalho, aumentando com isso a sua potência intelectual.
Com razão, pois, as religiões impõem o jejum para empreender um exercício espiritual ou preparar-se para receber um sacramento.
As grandes produções do cérebro humano nunca foram resultado de laboriosas digestões.
Tecnicamente, o jejum normaliza e purifica o sangue, ativando as eliminações gerais e favorecendo a destruição de matérias mórbidas.
Durante o jejum todas as células estão fazendo trabalho de eliminação e, quando ficam livres de obstruções de matérias estranhas, a saúde voltará.
O jejum elimina do corpo tudo quanto lhe é prejudicial, aliviando a congestão de qualquer órgão e dirigindo todas as forças do organismo no sentido da eliminação.
Além disso, o jejum combate a febre interna, porque permite descansar o aparelho digestivo cujo trabalho forçado e prolongado congestiona as suas mucosas e origina o desequilíbrio térmico do corpo.
Para terminar este ponto citaremos a experiência realizada pelo médico alopata norte-americano, Dr. Henrique S. Tanner, que jejuou durante quarenta e dois dias.
O Dr. Tanner, de Deluth, Minnesota, em 1877 foi declarado incurável por sete autoridades médicas de Minneápolis. Um reumatismo cardíaco e asma do mais insidioso caráter impediam-no de dormir e mantinham-no sofrendo intensas e constantes dores.
Não tendo na sua vida senão sofrimentos, o Dr. Tanner resolveu morrer, abstendo-se de todo o alimento por espaço de dez dias, prazo assinalado no ensino da Universidade como suficiente para causar a morte de um homem por inanição.
Mas deixemos a palavra ao Dr. Tanner:  
‘Comecei o jejum sem nenhuma prévia preparação, somente com a esperança de que a sua lenta e benigna ação me libertaria deste mundo. Mas qual não seria a minha surpresa ao descobrir que cada dia de jejum o meu estômago descansava absolutamente e libertava o meu corpo das insuportáveis dores e, como conseqüência natural por algo, ao quinto dia de jejum, estava tão aliviado, que pude já deitar-me em posição natural por algum tempo e dormir um pouco.
Continuei o jejum com fervor e, cada dia descobria em mim próprio um alívio surpreendente em todo o organismo. Aos onze dias podia respirar melhor e normalmente e o equilíbrio das forças de todo o corpo começou a manifestar-se, sentindo-me tão bem como nos meus dias de juventude (tinha então quarenta e sete anos).
Na noite do décimo primeiro dia retirei-me para descansar, esperando dormir uma hora; mas qual foi o meu assombro ao despertar no dia seguinte e ver que o sol estava no zénite; pela primeira vez, tinha dormido tantas horas como não o havia feito há muito tempo.
Fui então consultar o Dr. Moyer, o médico da minha maior confiança e um dos sete que me tinham desenganado, e pedi-lhe que me fizesse de novo um exame consciencioso do meu estado. Examinou-me minuciosamente e, quase sem poder falar, pela confusão que o embargava, disse-me: ‘Mas, como é isto possível, Dr Tanner? o seu coração está funcionando perfeitamente, e esta é a primeira vez desde que o conheço. Que é o que o senhor tem feito?’ Pois simplesmente lhe respondi:
‘Dei um absoluto repouso ao estômago nesses últimos onze dias e eu próprio estou admirado de continuar a viver e, cheio de felicidade, cada dia mais, pois os meu maiores sofrimentos desapareceram’. O Dr. Moyer, surpreendido, esteve muito tempo pensativo: a minha experiência não tinha precedente na história médica. Depois, reconsiderando, exclamou: ‘Dr; Tanner: de acordo com todas autoridades médicas, o senhor estava às portas da morte; mas, verdadeiramente, hoje vejo-o melhor do que nunca, desde que o tratei’. Ele falou-me de levar acabo uma discussão geral do fenômeno que o meu caso apresentava, e não queria crer na evidência dos seus sentidos. Continuei o meu jejum sob a sua observação por mais trinta e um dias, fazendo um total de quarenta e dois dias de jejum.
‘Desde aquela data até hoje, que tenho mais de oitenta anos, não sofri nenhuma recaída nem ataque da minha doença do coração, reumatismo e asma.’  
Uma vez mais aqui se comprova eloquentemente que as doenças e curas, a Natureza a rege com a sua própria força medicatriz.
Apesar da eloqüência do caso referido, posso assegurar que um jejum absoluto prolongado é perigoso e pode ser fatal, como pude comprovar. Recomendo ao leitor que só pratique jejum com frutas ou saladas cruas. Em casos raros e por poucos dias jejuar-se-á só com líquidos, por que o intestino necessita de celulose para expulsar as suas impurezas, com as quais deve sair também a bile, cuja retenção intoxica.
digitado do livro por leandro rocha cibantos

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